Novena da Misericórdia

Uma preparação espiritual para a Festa da Misericórdia

Um dos elementos mais presentes na religiosidade ou devoção popular são as novenas preparatórias para as festas dos padroeiros locais. Novena de São Francisco, Novena de Santa Terezinha etc. – são expressões de fé e piedade por vezes, talvez, improvisadas ou confusas, mas não desprovidas de significado e relevância para a comunidade local e para o devoto em particular. A piedade popular se manifesta de variadas formas nas diversas partes do mundo (p. ex., a novena do rei S. Luís IX na França), e por isso desde 1963 a Igreja tem procurado valorizá-la e orientá-la com mais clareza (cf. Concílio Vaticano II, SC 9 e 13; Paulo VI, Evangelii nuntiandi, 48; Catecismo da Igreja Católica, 1178; 1674ss). Na América Latina, recentemente o Documento de Aparecida (2007) sublinhou que tais práticas – “festas patronais”, “novenas” etc. – refletem “uma sede de Deus” e por isso constituem um “precioso tesouro” (nn. 258-259) a ser salvaguardado e purificado. Dentre as diversas novenas existentes, a novena de Pentecostes, da Imaculada Conceição e do Natal do Senhor gozam de oficial beneplácito eclesial (cf. Manual de Indulgências, 1986, Concessões, n. 34), o que demonstra que formas de piedade particular podem adquirir paulatinamente um caráter universal, sinal do Espírito que move a Igreja.

A Igreja tem procurado contemplar a piedade popular de uma maneira justa. Em 2001 o Vaticano, através da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicou o “Diretório sobre piedade popular e liturgia. Princípios e orientações”, importantíssimo documento sobre o assunto, no qual a Igreja examina mais detidamente a relação entre a Liturgia oficial e a religiosidade popular. Recorda (nn. 29s) que a piedade popular floresceu na Idade Média (entre os séculos VII e XV), já que os fiéis não conseguiam vivenciar de modo frutuoso as celebrações litúrgicas. Algumas de suas expressões surgidas naquela época chegaram até os nossos dias, dentre as quais as novenas (n. 32), o que é uma indicação da sua validade. Apesar de desvios que possam ocorrer aqui e acolá, liturgia e piedade popular “são duas expressões legítimas do culto cristão” que devem estar “em mútuo e fecundo contato” (n. 58), lembrados de que no âmbito da fé hão de se conjugar o privado com o comunitário, o local com o universal, o espontâneo com o oficial. Mesmo com a reforma litúrgica promovida pelo Concílio de Trento (séc. XVI), será justamente após ele que as formas devocionais hão de se desenvolver de um modo mais forte, demonstrando que não se pode aprisionar o Espírito (cf. Grolla, Valentino, L’agire della Chiesa. Teologia pastorale, Ed. Messaggero, Padova, 20033, p. 349).

Aquele que é “três vezes Santo” quis ocultar-se “por nove meses no Coração da Virgem” (Santa Faustina, Diário, n. 161), tempo da gestação humana, necessário para que venha à luz um novo ser. O número “nove” não é muito explorado pela Sagrada Escritura, mas pode ser relacionado com uma nova vida que está chegando; haja visto que o número dez é tido como perfeito (p. ex., Êx 34,28; Ap 17,12), e portanto o nove aponta para uma plenitude que está próxima. – Um outro modo de considerar a questão destaca que “a novena não é outra coisa que um tríduo triplicado, isto é potenciado, levado por conseguinte a uma eficácia muito maior, e reservado portanto aos casos mais solenes” (Enciclopedia cattolica, Cittàdel Vaticano, 1954, “Triduo”, p. 518). O número três é particularmente simbólico; Deus se revelou um só em 3 Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; quando se quer reforçar ou dar ênfase a uma expressão, repete-se a mesma por 3 vezes. Assim, afirmar que Deus é Santo, diz-se três vezes: “Deus é Santo, Santo, Santo” (Is 6,3; Ap 4,8). Deus abençoa três vezes (Nm 6,24-26). Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac (Gn 18,1ss). É ele próprio, então, o número da plenitude (Ap 21,13) e da santidade (Ap 4,8).

Na Sagrada Escritura se costuma sublinhar o período de três dias como tempo de preparação para algum importante acontecimento ou intervenção divina (cf. Tb 3,10; Jt 12,6; Est 4,16; 2Mc 13,12; Jo 2,1.19-21; At 9,9; etc.). S. Agostinho registra que em Roma havia muitos cristãos que praticavam a devoção do “tríduo contínuo” (continuum tríduum) de oração e sacrifício (De mor. eccl. cath. I,33). Por sua vez, a celebração cristã da novena é prefigurada pelos nove dias em que os Apóstolos (Pedro, Tiago e João mais outros nove!) e os primeiros discípulos/as deviam aguardar, em Jerusalém, pela mais plena manifestação do Espírito Santo, seguindo a vontade expressa de Jesus após a sua Ressurreição (cf. At 1,3s.; 2,1); S. Lucas registra que nestes dias estavam em profunda comunhão com Deus e com o próximo: “Todos estes, unânimes, perseveravam na oração” (At 1,14). Interessante notar ainda que estes nove dias preparavam a Igreja para a sua manifestação ao mundo, para o seu “parto”, após três anos de intensa preparação durante a vida pública de Jesus. Através das novenas procuramos corresponder ao apelo e testemunho do Senhor, às portas da sua paixão e morte: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação… E, afastando-se de novo, orava dizendo a mesma coisa” (Mc 14,38s), lembrados ainda do seu ensinamento sobre a insistência e a perseverança na oração, suplicando aquilo que é necessário ou conveniente para a nossa salvação e a alheia (cf. Lc 11,5-13; 18,1-8).

Uma das maiores místicas da espiritualidade cristã soube integrar muito bem liturgia e piedade. Santa Faustina Kowalska alimentava a sua fé, esperança e caridade, sobretudo, a partir dos sacramentos (Eucaristia e Confissão; ano litúrgico) e da oração comunitária e pessoal (meditação, contemplação), e ao redor deste eixo inseria as práticas devocionais (oração vocal). Em seu Diário encontramos o testemunho de que ela várias vezes realizou novenas (ao Sagrado Coração de Jesus, ao Espírito Santo, a N. Senhora, aos santos) através da recepção da Comunhão, Adoração ao Ssmo., orações específicas (Via-Sacra, oração à misericórdia divina [n. 187], mil Ave-Marias, ladainhas etc.) e/ou mortificações, tendo em vista objetivos diversos: por si mesma, pela obra da divina misericórdia, pelo Papa, pelo confessor, pelo clero, pelo mundo e pela pátria (cf. nn. 150; 269; 325; 529; 647; 665; 922; 940; 1041s; 1090; 1206; 1251; 1257; 1290; 1413; 1752). Algumas vezes foi o próprio Jesus quem diretamente lhas recomendou: “Vai falar com a Superiora e pede que te permita fazer diariamente uma hora de adoração, durante nove dias… Reza de coração em união com Maria e, também, procura durante esse tempo fazer a Via-sacra” (n. 32s); “Faz uma novena pela Pátria” (n. 59s); “Faz uma novena na intenção do Santo Padre…” (n. 341).

O Diário de Santa Faustina nos lega, outrossim, uma nova e importante prática de piedade, a novena em preparação à Festa da Divina Misericórdia, que por isso mesmo se encontra em profunda relação com a liturgia da Igreja. Acontece durante o Tríduo Pascal e a Oitava da Páscoa, favorecendo ao fiel uma mais profunda imersão no mistério da misericórdia divina, que plenamente se manifesta na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em 3 momentos o Diário trata desta novena de um modo específico: – Prelúdio, em 1936: “O Senhor me disse para rezar o Terço da Misericórdia por nove dias antes da Festa da Misericórdia. Devo começar na Sexta-feira santa. Através desta novena concederei às almas toda espécie de graças” (n. 796);
– Revelação completa, em 1937: “Jesus me manda fazer uma novena antes da Festa da Misericórdia, e hoje devo começá-la, pedindo a conversão do mundo inteiro e o conhecimento da misericórdia de Deus” (n. 1059);
– “Novena à Misericórdia Divina que Jesus me mandou escrever e rezar antes da Festa da Misericórdia. Começa na sexta-feira santa. Desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as graças de que necessitam nas dificuldades da vida e, especialmente na hora da morte. Cada dia conduzirás ao Meu Coração um grupo diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha misericórdia. Eu conduzirei todas essas almas à Casa de Meu Pai. Procederás assim nesta vida e na futura. Por Minha parte, nada negarei àquelas almas que tu conduzirás à fonte da Minha misericórdia. Cada dia pedirás a Meu Pai, pela Minha amarga Paixão, graças para essas almas” (n. 1209).

Já naquele ano de 1937 esta novena era aprovada e publicada em Cracóvia (cf. nn. 1255; 1379). As suas nove intenções se encontram sob os números 1209-1229 do Diário, e abarcam os mais variegados grupos de pessoas. Reza-se por todo o gênero humano marcado pelo pecado (todos somos pecadores!), mas de modo especial pelos pecadores (agonizantes, impenitentes, endurecidos e empedernidos, segundo expressões utilizadas no Diário); intercede-se pelos diversos membros da Igreja, tanto pelos sacerdotes e religiosos, como pelos fiéis em geral; pede-se também pelos cristãos separados (“heréticos e cismáticos”), pelos não-cristãos e por aqueles que ainda não conhecem a Deus (ateus, agnósticos e poderíamos incluir os “católicos de IBGE”!); reza-se pelas almas mansas e humildes (mais semelhantes ao Coração de Jesus) e pelos que glorificam de maneira especial a Divina misericórdia; por fim são apresentadas ao Senhor as alma do purgatório e aqueles que vivem na tibieza (baixo fervor espiritual e empenho cristão). Vê-se que é uma maravilhosa prática de intercessão comunitária, uma espécie de prolongamento da Oração universal com suas 10 intenções, antiqüíssima oração presente na Celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira santa.

No Diário igualmente se exorta a rezar durante nove dias à divina misericórdia em outras circunstâncias. Por exemplo, em 1935, Santa Faustina resolveu “fazer logo uma novena à Misericórdia” por uma pessoa em necessidade (n. 364). Naquele mesmo ano o próprio Jesus lhe pediu rezar o terço da misericórdia por nove dias, a fim de que se aplacasse a justiça divina antes os pecados do mundo (n. 476). No ano seguinte Jesus pede que as irmãs e as educandas fizessem o mesmo pela Polônia (n. 714). Noutra ocasião S. Faustina reza uma novena à misericórdia divina no dia 28 de dezembro (n. 851). Em 1938 a religiosa polonesa realizou esta novena por uma coirmã, a fim de que se cumprisse nela os planos divinos, pois “na oração não devemos forçar a Deus a nos dar o que nós queremos, mas antes submeter-nos à Sua santa vontade” (n. 1525). Os Padres José Andrasz e Miguel Sopocko, que acompanharam S. Faustina, explicam que “a novena da Misericórdia pode ser feita em qualquer tempo, mas, de harmonia com os desejos de Nosso Senhor, a época própria é a preparação para a Festa da Misericórdia” (A misericórdia de Deus, a única esperança da humanidade, Tipografia Porto Médico, Porto, 19562, p. 64). No que diz respeito às festas relacionadas com a devoção à Divina Misericórdia, esta é a principal, e por isso há de ser preparada de um modo especial (cf. Laria, Raffaele, Santa Faustina e a Divina Misericórdia, Paulus, Apelação, 2004, p. 121).


Reze a Novena à Misericórdia

Novena à Misericórdia – 1° dia
Hoje traze-me a humanidade inteira, especialmente todos os pecadores e mergulha-os no oceano da minha Misericórdia. Com isso me consolarás na amarga tristeza em que me afunda a perda das almas. Misericordiosíssimo Jesus, de quem é próprio ter compaixão de nós e de nos perdoar, não olheis os nossos pecados, mas a confiança que depositamos em vossa infinita bondade. Acolhei-nos na mansão do vosso compassivo Coração e nunca nos deixeis sair d´Ele. Nós vo-lo pedimos pelo amor que vos une ao Pai e ao Espírito Santo. Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda a Humanidade, encerrada no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres pecadores. Pela sua dolorosa Paixão mostrai-nos a Vossa misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 2° dia
Hoje traze-me as almas dos sacerdotes e religiosos e mergulha-as na Minha insondável misericórdia. Elas me deram força para suportar a amarga paixão. Por elas, como por canais, corre sobre a humanidade a Minha misericórdia. Misericordiosíssimo Jesus, de quem provém tudo que é bom, aumentai em nós a graça, para que pratiquemos dignas obras de misericórdia, a fim de que aqueles que olham para nós, glorifiquem o Pai da Misericórdia que está no Céu. Eterno Pai, dirigi o olhar da vossa Misericórdia para a porção eleita da vossa vinha: para as almas dos sacerdotes e religiosos. Concedei-lhes o poder da vossa benção e, pelos sentimentos do Coração de vosso Filho, no qual estão encerradas, dai-lhes a força da vossa luz, para que possam guiar os outros no caminho da salvação e juntamente com eles cantar a glória da vossa insondável Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 3° dia
Hoje traze-me todas as almas piedosas e fiéis e mergulha-as no oceano da minha Misericórdia. Estas almas consolaram-me na Via-Sacra; foram aquela gota de consolações em meio ao mar de amarguras. Misericordiosíssimo Jesus, que concedeis prodigamente a todos as graças do tesouro da Vossa misericórdia, acolhei-nos na mansão do Vosso compassivo Coração e não nos deixeis sair dele pelos séculos. Nós vos suplicamos pelo amor inconcebível de que está inflamado o Vosso Coração para com o Pai Celestial. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas fiéis, como a herança do vosso Filho. Pela sua dolorosa Paixão concedei-lhes a vossa benção e cercai-as da vossa incessante proteção, para que não percam o amor e o tesouro da santa fé, mas com toda a multidão dos Anjos e dos Santos glorifiquem a vossa imensa Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 4° dia
Hoje traze-me os pagãos e aqueles que ainda não me conhecem e nos quais pensei na minha amarga Paixão. O seu futuro zelo consolou o meu Coração. Mergulha-os no mar da minha Misericórdia. Misericordiosíssimo Jesus, que sois a luz de todo o mundo, aceitai na mansão do vosso compassivo Coração as almas dos pagãos que ainda não vos conhecem. Que os raios da vossa graça os iluminem para que também eles, juntamente conosco, glorifiquem as maravilhas da vossa Misericórdia e não os deixeis sair da mansão do vosso compassivo Coração. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos pagãos e daqueles que ainda não Vos conhecem e que estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Atrai-as à luz do Evangelho. Essas almas não sabem que grande felicidade é amar-vos. Fazei com que também eles glorifiquem a riqueza da vossa Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 5° dia
Hoje, traze-me as almas dos Cristãos separados da unidade da Igreja, mergulha-as no mar da Minha misericórdia. Na Minha amarga Paixão dilaceravam o Meu Corpo e o Meu Coração, isto é, a Minha Igreja. Quando voltam à unidade da Igreja, cicatrizam-se as Minhas Chagas e dessa maneira eles aliviam a Minha Paixão. Misericordiosíssimo Jesus, que sois a própria Bondade, Vós não negais a luz àqueles que Vos pedem, aceitai na mansão do Vosso compassivo Coração as almas dos nossos irmãos separados, e atraí-os pela Vossa luz à unidade da Igreja e não os deixeis sair da mansão do Vosso compassivo Cora­ção, mas fazei com que também eles glorifiquem a riqueza da Vossa misericórdia. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos nossos irmãos separados que esbanjaram os Vossos bens e abusaram das Vossas graças, permanecendo teimosamente nos seus erros. Não olheis para os seus erros, mas para o amor do Vosso Filho e para a Sua amarga Paixão, que suportou por eles, pois também eles estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Fazei com que também eles glorifiquem a Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 6° dia
Hoje, traze-Me as almas mansas e humildes, assim como as almas das criancinhas e mergulha-as na Minha misericórdia. Essas almas são as mais semelhantes ao Meu Coração. Elas Me con­fortaram na amarga Paixão da Minha agonia. Eu as vi quais anjos terrestres que futuramente iriam velar junto aos meus altares. Sobre elas derramo torrentes de graças. Só a alma humilde é capaz de aceitar a Minha graça. Às almas humildes favore­ço com a Minha confiança. Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”, aceitai na mansão do Vosso compassivo Coração as almas mansas e humildes e as almas das criancinhas. Essas almas encantam o Céu todo e são a especial predileção do Pai Celestial. São como um ramalhete diante do Trono de Deus, com cujo perfume o próprio Deus se deleita. Essas almas têm a mansão permanente no Coração compassivo de Jesus e cantam sem cessar um hino de amor e misericórdia pelos séculos. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas mansas, humildes e para as almas das criancinhas, que estão encerradas na mansão compassiva do Coração de Jesus. Estas almas são as mais seme­lhantes a Vosso Filho. O perfume destas almas eleva-se da Terra e alcança o Vosso Trono. Pai de misericór­dia e de toda bondade, suplico-Vos pelo amor e predileção que tendes para com estas almas: abençoai o mundo todo, para que todas as almas cantem juntamente a glória à Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Novena à Misericórdia – 7° dia
Hoje, traze-Me as almas que veneram e glori­ficam de maneira especial a Minha Misericórdia e mergulha-as na Minha misericórdia. Estas almas foram as que mais sofreram por causa da Minha Paixão e penetraram mais profundamente no Meu Espírito. Elas são a imagem viva do Meu Coração compassivo. Estas almas brilharão com um espe­cial fulgor na vida futura. Nenhuma delas irá ao fogo do Inferno. Defenderei cada uma delas de maneira especial na hora da morte. Misericordiosíssimo Jesus, cujo Coração é o próprio Amor, aceitai na mansão do Vosso compassi­vo Coração, as almas que honram e glorificam de maneira especial a grandeza da Vossa Misericórdia. Estas almas tornadas poderosas pela força do próprio Deus, avançam entre penas e adversidades, confiando na Vossa Misericórdia. Estas almas estão unidas com Jesus e carregam sobre seus ombros a Humanidade toda. Elas não serão julgadas severamente, mas a Vossa Misericórdia as envolverá no momento da morte. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que glorificam e honram o Vosso maior atributo, isto é, a Vossa insondável misericórdia. Elas estão encerra­das no Coração compassivo de Jesus. Estas almas são o Evangelho vivo e as suas mãos estão cheias de obras de misericórdia; suas almas repletas de alegria cantam um hino da misericórdia ao Altíssimo. Suplico-Vos, ó Deus, mostrai-lhes a Vossa misericórdia se­gundo a esperança e a confiança que em Vós coloca­ram. Que se cumpra nelas a promessa de Jesus, que disse: As almas que veneram a Minha insondável Misericórdia, Eu mesmo as defenderei durante a sua vida, e especialmente na hora da morte, como Minha glória. Amém.

Novena à Misericórdia – 8° dia
Hoje, traze-Me as almas que se encontram na prisão do Purgatório e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia. Que as torrentes do Meu San­gue refresquem o seu ardor. Todas estas almas são muito amadas por Mim. Elas pagam as dívidas à Minha justiça. Está em teu alcance trazer-lhes alívio. Tira do tesouro da Minha Igreja todas as indulgências e oferece-as por elas. Oh! se conhe­cesses o seu tormento, incessantemente ofereci­as por elas a esmola do espírito e pagarias as suas dívidas à Minha justiça. Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes que quereis misericórdia, eis que estou trazendo à man­são do Vosso compassivo Coração as almas do Purgatório, almas que Vos são muito queridas e que, no entanto, devem dar reparação a Vossa justiça. Que as torrentes de Sangue e Água que brotaram do Vosso Coração apaguem as chamas do fogo do Purgatório, para que também ali seja glorificado o poder da Vossa misericórdia. Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que sofrem no Purgatório e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Suplico-vos que, pela dolorosa Paixão de Jesus, Vosso Filho, e por toda a amargura de que estava inundada a sua Alma Santíssima, mostreis Vossa misericórdia às almas que se encontram sob o olhar da Vossa justiça. Não olheis para elas de outra forma senão através das Chagas de Jesus, Vosso Filho muito amado, porque nós cremos que a Vossa bondade e misericórdia são incomensuráveis. Amém.

Novena à Misericórdia – 9° dia
Hoje, traze-Me as almas tíbias e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia. Estas almas ferem mais dolorosamente o Meu Coração. Foi da alma tíbia que a Minha alma sentiu repugnância no Jardim das Oliveiras. Elas levaram-Me a dizer: Pai, afasta de Mim este cálice, se assim for a Vossa vontade. Para elas, a última tábua de salvação é recorrer à Minha misericórdia. Ó compassivo Jesus, que sois a própria compai­xão, trago à mansão do Vosso compassivo Coração as almas tíbias; que se aqueçam no fogo do Vosso amor puro estas almas geladas que, semelhantes a cadáveres, Vos enchem de tanta repugnância. O Jesus, muito compassivo, usai a onipotência da Vos­sa misericórdia e atraí-as até o fogo do Vosso amor e concedei-lhes o amor santo, porque Vós tudo podeis. Eterno Pai, olhai com Vossa Misericórdia para as almas tíbias e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Pai de Misericórdia, suplico-Vos pela amargura da Paixão de Vosso Filho e por Sua agonia de três horas na Cruz, permiti que também elas glorifiquem o abismo da Vossa Misericórdia. Amém.

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