Mortificação é Guerra

Entendemos mortificação como a luta contra as más inclinações para submetê-las à vontade de Deus.

Esta prática pertence ao patrimônio espiritual da Igreja: São Francisco de Assis, São Bento e Madre Teresa de Calcutá são alguns dentre os muitos monges, religiosos e leigos que a praticaram e ainda a praticam com sentido cristão.

O fundamento dogmático do oferecimento como vítima de expiação pela salvação das almas ou por qualquer outro motivo sobrenatural – reparar a glória de Deus ultrajada, liberar almas do purgatório ou atrair a Misericórdia divina sobre uma alma determinada – está na solidariedade sobrenatural, estabelecida por Deus entre todos os membros do Corpo Místico de Cristo, atuais ou em potência.

Mortificação como Reparação

A mortificação tem utilidade, não só como penitência, mas para nos purificar das faltas passadas – como reparação: “Completo em mim o que falta à paixão de Cristo”, diz São Paulo (Col. I,24) e “Aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz e siga-me (Mt. 16,24). Em I Corintios 9,27, Paulo diz: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”.

Mortificação como Santificação

Tem também como finalidade ajudar-nos a nos prevenir contra as faltas do tempo presente e futuro, diminuindo o apego ao prazer, que é uma fonte das faltas pessoais. São João da Cruz sobre isto escreveu: Jamais, se queres chegar a possuir a Cristo, busque-o sem a cruz.

De acordo com os teólogos católicos, os principais benefícios que a “dor cristã” proporciona são: expiação dos próprios pecados, submete a carne ao espírito, desprende a pessoa das coisas da Terra, purifica e embeleza a alma, alcança tudo de Deus, faz da pessoa verdadeiro apóstolo e nos torna semelhantes a Jesus.

Padre Walnei de Moura é diretor espiritual e presidente da Comunidade Servos da Divina Misericórdia, além de padre da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde é pároco da paróquia de Nossa Senhora da Lapa e coordenador da Pastoral Carcerária.

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