A graça de recomeçar

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Janeiro – Para muitos, mês de férias.

Fevereiro – Carnaval e vida que, apesar da agitação, ainda corre lento.

Março – Junho – Ano acontecendo de fato. Primeiros desafios, vida que insiste em acontecer.

Julho – Marcado pela exclamação: Já!?

Agosto – Mês que não acaba

Setembro – Novembro – Os feriados nos salvam de nossa rotina

Dezembro – Começamos a nos preparar para os festejos e para a vida que queríamos ter o ano todo…

Janeiro – Para muitos, mês de férias…

Assim é nosso ano: temos datas marcadas para a felicidade e datas marcadas para chorar. A máxima de Eclesiastes – para tudo há um tempo debaixo do céu – faz todo sentido em nossas vidas. Entretanto, parecemos estar escravizados ao tempo.

A partir de estudos etimológicos, sabemos que há, para a nossa palavra “tempo”, duas diferentes concepções: Kronos e Kairós. O primeiro, na antiguidade, representava uma divindade que submetia tudo e todos a si. O segundo pode ser compreendido como a época favorável, como, por exemplo, o tempo da colheita.

O fato é que não tem jeito, somos participantes das duas naturezas do tempo. Temos que levantar às 05:30, ir para o trabalho, de lá para a faculdade… ou todo dia ela tem que fazer tudo sempre igual… Inclusive, temos uma rotina com o nosso servir a nosso Deus: domingo de missa, pastoral na semana, vida de oração… O kronos, ao contrário do que muitos pensam, não está contra nós, mas é o que nos faz ser o que somos. Só somos seres humanos por estarmos inseridos no tempo. Fora o tempo só há a eternidade. Precisamos, inseridos no tempo que passa, nos apegarmos às realidades já do tempo que não há de passar. O eterno nos espera sem pressa, até porque ele não envelhece, não sofre. O sofre é próprio de uma vida cronometrada, que tenta ser exata e se esquece que viver não é preciso, tal como navegar, ou como o girar dos ponteiros do relógio marcam as horas.

Só conseguiremos suportar o kronos para alcançarmos o eterno se, unido àquele estiver a vivência do kairós. A graça renovadora que nos dá uma nova dimensão de vida e de realidade. Nossos olhos deixam de contemplar apenas a morte do tempo que passa e passam a enxergar a vitória que se aproxima. À medida que nossos sentidos se enfraquecem, por estarem subordinados ao kronos, nossa alma se enriquece e é vivificada e transformada por estar envolvida pela graça. Quanto mais cheios da graça, mais desejamos a ação do tempo, pois a partir dele havemos de nos encontrar face a face com aquele que nunca deixou de zelar por nós desde a criação de tudo o que há.

2013 vai passar como passou 2012 e isso é uma graça imensa, pois quantos menos jovens de idade, mais jovens para a eternidade.

Ir. Diogo, Consagrado da comunidade de Aliança

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