A Dor de Amar

a_dor_de_amarUm Homem de dores. Assim é descrito pelo profeta o nosso redentor. Mas a que dores ele se referia?

Ele tomou sobre si as nossas dores. Mas isso não significa que ela deixam de ser nossas. No mistério pascal, Jesus compartilha de cada sofrimento nosso. Se compreendermos o sentido etimológico de “paixão”, chegaremos a dor. Esse sofrimento do Senhor, o nosso sofrimento, abre em suas mãos, em seus pés e em seu lado chagas. Ferimentos que não cicatrizam. Por qual motivo não cicatrizaram? Para ser uma prova do sofrimento? Uma prova de que Ele era, de fato, o Cristo? Não. As chagas estão abertas porque ainda absorvem as nossas dores. Deus continua a sentir a cruz, mas agora não a de madeira, e sim aquela que fere nossas almas.

Ele continua a tomar sobre si as nossas dores. Meu coração chagado por ser imperfeito dói em mim. Dói também nele. Minhas salgadas lágrimas amargam minha vida. Mas as Dele, que tocam o chão por causa das minhas, possuem não um amargor, mas um doce clamor: olha para Mim! Eu venci o mundo. Venci a dor. Venci a morte. As minhas chagas abertas são para mim uma glória.

Em seguida, reconhecemos nele as nossas dores. A solidão, a traição, a angústia, a dor física, a dor da alma ao sentir-se abandonado pelo Pai… Todas as dores modernas já eram carregadas por Aquele Homem de Nazaré, que era um simples carpinteiro. Ele tahou um mundo novo com palavras, ações e sangue. Que nesta festa santa nossas palavras glorifiquem a Deus. Nossas ações sejam um louvor concreto. E nosso sangue não seja poupado para proclamar que o Pai cumpriu o que prometera: amou-nos com tanta intensidade, que provou que o amor tem um quê de dor. Se nem Ele se furtou à dor de amar, amemos também nós.

Ir. Diogo, CSDM

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